Era um rapaz novo, esbelto, com a face delicada e graciosa. Os cabelos eram encaracolados e negros e sedosos. No mínimo era uma figura estranha. Este era eu, um cara bonitinho chamado deus. Pois é, eu sou Deus, mas não é fácil ser deus, ainda mais um como eu. Eu sou onipotente, oniciente e onipresente como qualquer outro deus, mas isso não quer dizer que eu tenha poderes, nem que eu seja capaz de acabar com a fome no mundo como uma miss faz. Ou paz mundial e toda essa baboseira que pedem por aí. Eu sou mais como um observador, vendo as coisas acontecerem, pensando na vida como ela é sentado em algum lugar. Eu interfiro no que me dá vontade, ajudo quem eu posso quando me dá na telha e faço coisas como qualquer outra pessoa normal. E estava escrevendo meu desabafo diário quando a porta do quarto se abriu de repente e J.C. entrou com uma maça na mão. Levantei de sopetão e tentei esconder o que estava fazendo:
- Ô pai, tem um real pra me dar?
- Pega umas moedas por aí - disse em pé na frente do computador olhando pra ele.
- Hnn... - ele me olhou desconfiado, deu uma mordida na maçã e me indagou acusador: - O que você tá fazendo?
- Nada não, - disse meio sem jeito - tô editando uma matéria do Correio Divino.
- Hnn... - disse desconfiado - Achei que você não gostava muito de fazer isso.
- De vez em quando dá na telha né muleque - tava começando a berder as estribeiras, como sempre.
- Ihhh, acho que a marmota mijou atrás da porta de novo - ele disse olhando para o canto do quarto. - Você não devia deixar suas roupas ali.
Fui puto na direção da porta, aquela maldita marmota tava mijando nas minhas coisas de novo, ela sempre fazia isso. Mas dessa vez não ia ficar barato, não teria ração por um mês, ela que aprendesse a viver com isso, maldita marmota gorda e folgada. Quando olhei pro lado tudo estava perdido, J.C. estava sentado no computador lendo minhas intimidades e começando a rir debochadamente.
- "Um cara bonitinho chamado Deus"? - ele disse em meio aos risos. - Acho que você não foi muito sincero, esqueceu de falar que era gordinho. HAahHAhahHAHa
- Tome no meio do cú - falei enquanto corria em sua direção com as mãos abertas pronto para esganar o maldito até a morte. Quando ele percebeu que meus intuitos não eram os melhores ele jogou a maçã no meio da minha testa que explodiu de forma cinematográfica, porque no momento em que percebi, aquele corpo estranho vermelho meio mordido vinha em minha direção e não havia mais como me desviar dele, meus reflexos não mais tão bons quanto a astúcia e a velocidade do J.C. desde que ele fez o seu treinamento de defesa pessoal com o Chuck Norris. A maça explodiu como o planeta onde fizeram o treinamento, só que foi na minha testa. O suco da maçã e alguns estilhaços dela entraram no meu olho e me deixaram momentaneamente cegos. Enquanto cai, deitava e rolava de dor no chão me esperneando de dor e por estar cego, J.C. saiu do quarto correndo e dois passos depois da porta ele ainda gritou "Te peguei cara bonitinho".
Olha, sinceramente não sei mais o que fazer com esse moleque de merda.
1 comentários:
a marmota gorda e folgada mija nas roupas de deus pq ele deixa tudo jogado no chão..
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